Potencial gastronômico capixaba é explorado em feira com produtos e receitas criados no estado

A gastronomia capixaba é uma das mais ricas do país e se destaca em muitos aspectos. Um deles é a influência de estrangeiros europeus, cujos descendentes vivem concentrados nas cidades da região serrana. Lá, em municípios como Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, receitas “miscigenadas” nasceram do encontro entre o Velho e o Novo Continente.

Mas, em um estado tão rico, as misturas das cozinhas não se destacam sozinhas: café, leite e derivados, doces e muitos outros alimentos.  O melhor de tudo é que todos eles estiverem expostos juntos, para degustação e/ou venda, durante a 11ª edição da Feira Sabores da Terra, que aconteceu em Vitória neste final de semana.

No evento, havia um dos filhos mais ilustres dessa combinação entre Brasil e Europa e que nasceu em solo capixaba: o Brote de Milho (“Mijabroud”), um tipo de pão criado por imigrantes pomeranos. Esse povo chegou ao país na segunda metade do século XIX, a maioria para o Espírito Santo, e como não encontravam trigo com facilidade, tiveram que mudar os ingredientes da iguaria.

Como o milho e os tubérculos são muito abundantes no Brasil, eles aproveitaram a farinha de milho para substituir a de trigo e as raízes para complementar o novo pão. Os tubérculos geralmente adicionados são batata doce, inhame, cará e aipim e há também a participação de tipos de bananas, frutas cristalizadas e até outros temperos.

Confira a receita do “Mijabroud”

Mas o brote não reinou sozinho na mesa dos imigrantes no Espírito Santo.  O Bolo ladrão (“Spitsbuben”, em pomerano) e o brote de banana foram receitas criadas com frutas tropicais – o primeiro tem a goiaba como base. Além disso, há geleias, sopas e outros alimentos que foram adaptados para a realidade da agricultura local.

Capital ocidental do café conilon

As propriedades dos terrenos capixabas, por sinal, são abençoados também para a cultura da cafeicultura. E que benção! Tanto o grão arábica quanto o conilon (robusta) adoram o solo do estado. Mas é este tipo que reina no Espírito Santo, que responde por quase 80% da produção nacional de conilon. Se fosse um país, seria o segundo maior produtor mundial, atrás apenas do Vietnã. No total de produção das duas espécies, o estado é o segundo maior produtor  brasileiro.

Na Feira, foi possível ver a força desta indústria. No meio da tenda, um estande de grande porte recebeu diversas marcas de café, a maioria de pequenos produtores (73% dos produtores capixabas são de base familiar). A degustação era gratuita. Nós do Referência Gourmet provamos quatro marcas, das duas espécies, e o resultado foi um sabor diferente do outro, mas todos deliciosos.

Grãos do Forquilha (arábica) , cultivado e produzido em Dores do Rio Preto, município da região capixaba do Caparaó

 

 

 

Produtor Afonso Donizete Lacerda, dono do Forquilha, campeão do Coffee of the Year 2016
Integrantes das famílias produtoras de donas da marca Tozzi, de grão arábica
Grão arábica, o Café Fazenda Venturim é de São Gabriel da Palha
O Canto Verde é grão arábica do município de Brejetuba e é comercializado por uma pequena família

A indústria cafeicultora no Espírito Santo é tão pungente que acabou por criar um produto derivado inédito no Brasil: o café caramelo. Ele é um creme resultante da mescla de cafés especiais arábica e conilon e deve ser misturado ao leite. Há o sabor tradicional e vários outros. O estilo lembra um cappuccino, mas com gosto e cremosidade bem distintos.

Criado há apenas três anos, o produto já está presente em vários estados, por meio de revendedores. A empresa criadora, da cidade de Serra, na Grande Vitória, recomenda também o consumo de outras formas, como acompanhante de sorvete e até ingrediente de brigadeiro.

Laticínios capixabas: búfala e orgânicos

O grande acompanhante do creme café, o leite, é protagonista na agropecuária capixaba como não é diferente do resto do Brasil. Os laticínios, principalmente os queijos, são produzidos por vários produtores, sobretudo da região serrana. Dentre os mais populares da feira, estavam os orgânicos de leite de vaca de Venda Nova do Imigrante (marca Sabor das Montanhas) e os produtos de búfala de Linhares, na região Norte (Queijaria Camila).

Ambos têm variedade grande de produtos. Nós resolvemos provar vários sabores dos iogurtes do município serrano. O destaque maior foi para os de açaí, maracujá e abacaxi; todos muito consistentes, cremosos e com gosto bastante apurado.

Já nos produtos de búfala, conseguimos provar o doce de leite. Cremoso, saboroso e, surpreendentemente, com pouquíssimo açúcar. Segundo um dos vendedores, o doce leva apenas 7% deste ingrediente em sua composição; característica que contribui para se apreciar ainda mais o gosto da iguaria.

Biscoitos serranos

Imagine comer biscoitinhos caseiros, salgados e doces, com um cafezinho no final de tarde.  Visitamos dois estandes de marcas: uma de Venda Nova, inclusive com loja própria, e outra de Conceição do Castelo. Os nomes das marcas e o endereço da primeira estão na legenda das fotos.

Equipe da marca Luzia e Lair (a Luzia é a da direita)
Equipe dos Produtos Marip, biscoitos rurais feitos pela Maria da Penha (à direita)

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