O FESTIVAL NACIONAL DO PODRÃO AGITA FINAL DE SEMANA CARIOCA

Evento realiza a sua 2ª edição em menos de seis meses , cresce, desperta o interesse de expositores, imprensa e público, e debuta no Terreirão do Samba, um dos mais requisitados locais festivos do Rio.

Quem diria que uma iniciativa de duas amigas se tornaria um dos maiores festivais do Rio de Janeiro, e quem sabe do Brasil, de comida alternativa. Alternativa porque o festival que vamos falar agora não tem vinhos caros, pros secos, ou pratos de alguma iguaria que está sempre acima do preço… Organizado por Natália Alves e Suzanne Malta, a Feira (Ou Festival) Nacional do Podrão reuniu diversos vendedores, curiosos e amantes de bons salgados e outras delícias no Centro do Rio, no último final de semana, 11 e 12 de Agosto.

Realizado no Terreirão do Samba, ponto de encontro de bambas à época do carnaval carioca, a feira contou com apoio de marcas importantes do mercado gastronômico, e inclusive da imprensa.O festival fez a alegria de famílias, que não se importaram nem um pouco de ficar nas filas para se deliciar com cada um dos pratos oferecidos no evento. Diego, estudante de Sociologia, disse que não esteve no primeiro evento, na Tijuca, mas que gostou da ideia,e que o saldo é positivo, principalmente pela mudança no local de realização. “Eu acho essa segunda edição mais relevante, até em relação à localização; a primeira edição foi na Tijuca, que é um bairro de mais difícil acesso. Aqui tem a Central, a Presidente Vargas, o Metrô, muito mais perto do Centro da Cidade, para as pessoas chegarem.” – disse.

E não é só o Diego que gostou dessa mudança e da expansão dessa nova edição da feira. Muitos parceiros, além de aprovarem a iniciativa das meninas, apostaram na segunda edição do evento, inclusive aumentando a sua presença no festival. “A ideia de trocar a nossa barraca pelos foods trucks foi justamente essa, aumentar a nossa presença em diversos pontos da cidade, tornar a marca Batata de Marechal mais conhecida, em diversos pontos do Rio.” – disse, Yasmin Albuquerque, sócia da famosa Batata de Marechal, que esteve na primeira organização do evento, em março. Yasmin voltou para a edição atual, não com uma barraca, mas com dois foods trucks, com filas dignas da popularidade da batata mais famosa do Rio de Janeiro.

E a Feira do Podrão só cresceu. Em dois dias de eventos, a feira teve show ao vivo, como não poderia ser diferente se tratando do Terreirão do Samba, um dia ensolarado, e com muita gente bonita. No sábado, o show foi do grupo Os Intimistas. Já o domingo, teve a presença do Grupo Revelação, um dos grupos de samba mais famosos do Brasil, e com mais de 25 anos de estrada. O Festival ainda recebeu artistas circenses que fizeram a alegria de famílias, e fez algumas crianças rolarem de rir, enquanto saboreavam hambúrgueres e churros.

Falando em churros, a feira ainda trouxe uma das paixões do carioca, em uma versão nada convencional. “Eu conheci as meninas através de uma professora de inglês, pra quem eu fiz uma a festa dela, levei meus churros, ela gostou, e quando viu o evento me passou o contato da Natália e da Suzanne. Entrei em contato com elas, e fechei a minha vinda para o evento. Elas pediram algo impactante, e eu fiz.” – disse  Júlio César, ou melhor, Júlio dos Churros. E fez mesmo. A Pizza de Churros era a mais pedida na barraca do morador de Xerém, que tem mais de 20 anos de experiência no ramo. “Todo mundo me conhece, Júlio dos Churros.” – diz, orgulhoso.

Além de toda essa incursão gastronômica, o Festival Nacional do Podrão ainda promoveu representatividade social, nos dois dias de evento. Além da presença de artistas circenses, quem levasse um quilo de alimento, não perecível, ainda pagava um valor menor de entrada, de cinco reais apenas. Todos esses alimentos foram entregues ao Retiro dos Artistas. Dá pra não se apaixonar por esse evento? “Dessa vez a feira está com uma pegada bem mais social, nosso lixo é reciclado por uma empresa de resíduos, a Itaipava está promovendo um concurso aqui, dos três melhores podrões:  o mais gostoso, o de melhor atendimento e o mais inusitado. Dessa vez, as estrelas não são só a comida, mas também os expositores.”– defende uma das organizadoras do evento, a cientista política apaixonada por gastronomia, e dona da página no Facebook, O que fazer no Rio, Natália Alves.

                                             (Natália & Suzanne)

“Nós temos mais de 32 expositores, sendo que alguns com mais de uma barraca. Conseguimos essas parcerias através de curadoria na rua. Eu e minha sócia, Suzanne, vamos em cada um, provamos, vemos se está de acordo com a proposta do evento e trazemos pra cá.” – continua. E toda essa busca pelo inusitado deu muito certo. Como uma estimativa de 5.000 mil pessoas/dia, o evento ainda premiou a Delicoxinha com a sua Coxinha de um quilo, como “podrão mais inusitado”, a Batata de Marechal recebeu o prêmio de “melhor atendimento”, com o Açaí Tumucumaque sendo eleito como o “podrão mais gostoso”. Sendo açaí, é justo, não é ?

Caminhando pelo festival, você percebe que o evento já tem a cara do carioca, já na sua segunda edição. Mesmo com a suas filas, e a excitação das pessoas em chegar até suas comidas e bebidas, a feira foi um sucesso, e parece que não tem planos de parar, nem por essa edição, nem só pela cidade fluminense… “A nossa vontade é de pelo menos realizar duas edições anuais, aqui no Rio de Janeiro, e também levar a feira para outros estados. Queremos colocar a feira no calendário do carioca, já temos o apoio da prefeitura, da secretaria de cultura também, Globo, da Itaipava e da Coca-Cola. O nome é Feira Nacional, se é Nacional, nós queremos levar para o Brasil inteiro.” – conclui, Natália, com um sorriso no rosto.

O que nos resta é esperar que o evento continue, cresça, e, que assim como o samba carioca, se inspire no próprio Terreirão, para continuar nos oferecendo uma comida boa e barata, bem raiz !

 

Matéria de Marcelo Roberto Sant’ Ana

Jornalista

 

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